O Big Ben está ficando torto…

 

O relógio mais famoso do mundo, está ficando torto. Ainda não se sabe exatamente o que levou a torre a inclinar. Pode ter sido o terreno argiloso, ao lado do rio Tâmisa; a obra de expansão do metrô, que passa embaixo do parlamento onde fica o relógio; ou simplesmente um desalinhamento na construção, feita em 1858.

 

O fato é que o patrimônio inglês está com uma inclinação de 0,26º para o lado noroeste. Não é possível ver a olho nu, mas no topo, a 96 metros do chão, o Big Ben está torto, cerca de 26 centímetros. É pouco se for comparado à torre de Pisa, na Itália, com quase 4 metros de inclinação, mas não deixa de ser um fato importante.

 

Ao contrário do que muitos pensam, BIG BEN não é o famoso relógio do Parlamento Britânico, nem tão pouco a sua torre (eu também pensava que era). É o nome do sino, que pesa 13 toneladas e que foi instalado no Palácio de Westminster durante a gestão de sir Benjamin Hall, ministro de Obras Públicas da Inglaterra, em 1859. Por ser um sujeito alto e corpulento, Benjamim tinha o apelido de Big Ben. Todos os dias, a rádio BBC transmite as badaladas do sino. O sino foi fundido por George Mears em 1858, media quase 3 metros de diâmetro e pesava 13, 5 toneladas.

 

Por causa do som do maior dos três sinos da torre – um gigante de 16 toneladas que fica escondido lá topo todos começaram o relógio de Big Ben. Mas, com o tempo, o monumento inteiro acabou levando esse apelido. O fato é que, inclinado ou não, esse monumento é uma obra de arte.

 

Engenheiros britânicos ouvidos pela imprensa local afirmam que se o problema for progressivo e continuar nesse ritmo, vai levar cerca de dez mil anos até que o relógio chegue à inclinação da Torre de Pisa – que, por sinal, estagnou depois que foram feitas obras na sua base. Ou seja, tempo é o que não falta para acharem uma solução também pro Big Ben.

 

O nome do relógio é Tower Clock, ou Clock Tower (Torre do Relógio), e é muito conhecido pela sua precisão e tamanho. Certa vez uma família de pássaros pousou no seu ponteiro e o desregulou em cinco minutos.

 

 

Escalando lugares altos…

Lugares altos exercem fascínio na gente desde sempre: crianças escalam móveis e se debruçam em janelas, homens arriscam a vida em explorações de montanhas e invenções para tomar o céu, sociedades constroem monumentos gigantes para mostrar sua importância. Deve ser porque de lá a vista vai mais longe do que jamais conseguiríamos da nossa perspectiva diminuta. E alcançar o topo, ponto privilegiado aonde poucos se arriscam a chegar, nos faz poderosos: temporariamente, somos donos secretos daquele mundo que se descortina à frente. 

E o engraçado é que, seja na escalada do Everest, seja no mirante da estrada, tudo se passa em poucos minutos.

Porque essa é outra curiosidade a respeito dos lugares altos – levamos mais tempo subindo do que apreciando.

Lembro-me de morros em que me arrastei nos últimos passos, árvores que desbravei até o último galho frouxo, paredes que escalei até não sentir mais os braços, os degraus intermináveis de pontos turísticos.

A chegada é um alívio do tamanho da conquista.


Depois de algumas respiradas fundas, talvez umas fotos, um olhar em 360 graus, quero logo descer.

Qualquer pessoa com bom-senso perguntaria: mas tanto esforço só pra isso? Provavelmente, essa é uma pessoa com medo de altura.

Porque, o mais importante sobre os lugares altos, quem sobe sabe: não é necessariamente a vista que eles nos proporcionam, mas a sensação de que somos capazes de chegar lá.